sexta-feira, 23 de abril de 2010

Uma escola que abre os horizontes em Nova Iguaçu


Nascida com o projeto de horário integral, a Escola Livre de Cinema ensina o audiovisual e modifica o futuro dos alunos

Do teatro para o cinema. Essa foi a escalada do grupo Reperiferia, que trabalhava as artes cênicas com crianças de comunidades carentes da Zona Oeste do Rio de Janeiro, ao ser convidado para montar uma proposta para o programa de horário integral da rede escolar de Nova Iguaçu, o Bairro-Escola, em 2006. Conhecidos pelo documentário Carnaval, bexiga, funk e sombrinha, a turma aproveitou a entrada em cena da tecnologia digital e criou a Escola Livre de Cinema, que introduziu o audiovisual como metodologia de ensino. Uma das ações mais importantes da Escola é o Festival de Cinema de Nova Iguaçu – Iguacine –, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura. Em sua 3ª edição, o festival vai até do dia 21 de abril.

Desde o projeto de teatro, a ideia sempre foi atender a uma demanda de crianças que não tinham acesso à cultura, e trabalhar com o que existia na periferia e no cotidiano delas. “Quando recebemos o convite para vir para Nova Iguaçu, pesquisamos o dia-a-dia dos alunos e das escolas, filmando tudo. Daí veio a proposta do audiovisual”, disse Cristiane Braz, diretora da Escola. Todos os anos a Escola de Cinema trabalha um tema diferente. Este ano, a base para as histórias foram quatro contos do escritor Câmara Cascudo, que viraram curtas-metragens que estão sendo exibidos na Mostra Bairro-Escola, na programação do Iguacine.

De acordo com o coordenador artístico Anderson Barnabé, o surgimento da tecnologia digital barateou e facilitou muito o trabalho. “Hoje qualquer celular tem uma câmera. Mas não basta só ter o equipamento, tem que dominar a linguagem”. Segundo ele, o cinema une de maneira totalmente diferente a criança e a tecnologia. “Enquanto em casa o pai diz ‘não mexe aí’, o princípio da linguagem de cinema é a total liberdade de ações. A gente entrega a câmera e diz: ‘Vai! Filma a sua rua, conversa com sua família’. Isso faz com que a criança conte sua própria história, mostre o seu olhar sobre o lugar onde mora”, contou o diretor, que afirma que as aulas podem não definir o futuro profissional dos alunos, mas ajudam a abrir seus horizontes.

Poucos meses depois do início dos trabalhos, o grupo criou um curso profissionalizante para jovens e adultos. Uma das alunas, Cíntia Monsores, hoje com 23 anos, fez parte da primeira turma e hoje é uma das principais produtoras da Escola, cursando inclusive faculdade de cinema. “Todos os nossos professores já são ex-alunos, que atuam em sala de aula com um profissional de outra área, como artes plásticas e literatura. Eles ensinam o que já sabem e aprendem mais um pouco”, disse Cristiane.

Outra turma que se fez necessária na Escola Livre de Cinema foi um curso de capacitação de professores, para que eles aprendessem a metodologia utilizada para ser empregada em sala de aula. “Através de uma pesquisa descobrimos que os alunos que frequentam a Escola têm um rendimento de cerca de 15% maior que os outros, principalmente na matéria Incentivo à Leitura e Produção de Texto. Agora, os professores de toda a rede municipal passam por nossos cursos de capacitação para aprender a trabalhar a palavra com o audiovisual”, contou a diretora.

A Mostra Bairro-Escola terá mais duas sessões, às 9h e às 14 horas, no dia 20 de abril. O 3º Festival de Cinema de Nova Iguaçu – Iguacine – acontece até o dia 21 de abril, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro – Rua Getúlio Vargas, nº 51, Centro. Confira a programação completa no site da Prefeitura de Nova Iguaçu: www.novaiguacu.rj.gov.br.

Nenhum comentário:

Postar um comentário